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TREKKING NO COLCA CAÑON | POR DANIELA BORGES

Já falei pra vocês que uma das melhores coisas que a viagem de carro nos proporciona é a maleabilidade do roteiro, não falei? Agora, vamos a um exemplo beeeeem bacana: O Colca Cañon.
No final do ano passado, decidi fazer uma viagem de 23 dias passando pela Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Consegui a companhia de três pessoas por quem tenho grande carinho (Vanessa, Carol e Rafa), fiz um calendário com os dias que tínhamos para a viagem, os lugares que cada um de nós gostaria de conhecer e os dados de onde deveríamos estar em cada um dos dias que tínhamos (preenchi os dados com lápis, pois a ideia do calendário servia apenas pra nos dar uma noção de tempo/espaço e de onde deveríamos estar para que nos últimos dias da viagem pudéssemos estar o mais perto de casa possível e começar o caminho de volta com tranquilidade).
Com muito bom humor e muuuito chimarrão, saímos do Brasil em direção à cidade de Salta, na Argentina. São dois dias de estrada até lá. E para o nosso desespero, no momento em que acordamos e começamos a planejar os passeios pela região, uma chuva TORRENCIAL caiu sobre a cidade. Decidimos então seguir viagem e riscar Salta do nosso roteiro – só que isso nos custou um terceiro dia consecutivo de estrada, o que não foi nada fácil de encarar. No final deste terceiro dia, chegamos em São Pedro do Atacama com uma vontade danaaaaaada de estacionar o carro e ficar bem longe da estrada por um bom tempo! Mas apesar disso, o Atacama nos custou apenas 4 dos 5 dias que pretendíamos ficar lá.
Plaza de Armas - Arequipa
Plaza de Armas – Arequipa
Então, com uma “sobra” em nosso pseudo-roteiro, decidimos fazer o trekking do “Colca Cañon”, que fica próximo à cidade de Arequipa, no Peru.
Apesar de não ter um nível de dificuldade preocupante, a travessia deste Cânion é longa, são 19 (DEZENOVE!!!) quilômetros de descida, que podem ser percorridos em um ou dois dias, e mais três horas de uma subida-sem-fim no último dia.

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Como todos que me acompanhavam são aventureiros e acreditávamos estar acostumados às longas caminhadas, optamos por fazer a descida em um dia e a subida em outro. Assim, no primeiro dia, almoçaríamos em San Juan e continuaríamos a caminhada até o Oasis de Sangalle. Mas, sinceramente? Acho que foi a pior escolha que fizemos em toda a viagem. A caminhada é exaustiva – tanto que, ao final do primeiro dia, já estávamos sofrendo muito mais do que aproveitando o passeio.

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Apesar disso, eu não quero que vocês pensem que esse passeio é puro sofrimento. O lugar é lindo, as pessoas que moram lá são educadas, gentis e prestativas, a cultura dos habitantes é inspiradora – por diversas vezes, tivemos vontade de adotar as pessoas que moram por lá!

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Então, pra garantir que vocês aproveitem muito mais o passeio, reuni aqui alguns dados importantes:
  1. O Cânion é uma das principais atrações turísticas do Peru – e não é por menos, o local tem uma beleza ímpar e poder caminhar por horas a fio em um lugar tão lindo é realmente uma bênção;
  2. A entrada custa aproximadamente 40 reais para quem mora na América do Sul;
  3. A trilha inicia em uma cidade pequena e super charmosa chamada Cabanaconde, que fica a aproximadamente 200km de Arequipa. Se você não estiver de carro, não tem problema, pois existe uma linha de ônibus que sai de Arequipa e vai até lá;
  4. Cabanaconde
  5. Cabanaconde está a 3287 metros acima do nível do mar. Portanto, se você não estiver bem aclimatado à altitude, pode sofrer um pouco. Por isso, é importante beber bastante água e manter-se hidratado;
  6. Na altitude o sol é implacável e tende a queimar a nossa pele com muito mais eficiência! Por isso, roupas frescas e que cubram a maior parte do corpo possível podem ser importantes aliadas, assim como o protetor solar;
  7. Existem duas opções de roteiro para quem quer fazer a travessia do cânion: dois ou três dias. se você não está acostumado a caminha muito, opte pelo roteiro de três dias. No caso da subida, existe a possibilidade de fazer o trajeto com mulas, e o custo é de aproximadamente 50 reais;
  8. Logo após o vilarejo de San Juan, há um pequeno trecho de subida (pequeno, se comparado aos 19km do trajeto até o Oasis), e não há nenhum resquício de sombra. Aqui, um chapéu ou boné pode ser bem útil;
  9. Pode acreditar em mim, você NÃO precisa de guia turístico para fazer a trilha do Cânion – isso porque as pessoas que moram por lá costumam transitar em mulas pra todos os lados e, como conseqüência, a trilha é larga e beeeeeem visível (bem visível MESMO!);
  10. Existem quatro vilarejos no trajeto todo (San Juan, Cosñirhua, Malata e Oasis de Sangalle), mas somente dois deles possuem hospedagem. No mapa, você ainda vai ver um vilarejo chamado Tapay, mas não há a menor necessidade de passar por ele;
  11. Não espere por hotéis e restaurantes luxuosos – tudo é bem simples por lá. A comida em San Juan é saborosa e feita com muito capricho, aproveite pra relaxar um pouco por lá.

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Vale lembrar que caminhadas como esta podem ser encaradas de diversas formas. Eu, por exemplo, gosto de andar com tranqüilidade, observar cada detalhe do lugar, ter uma boa companhia e jogar  muita conversa fora. Já a minha amiga Carol, por exemplo, prefere lidar com a caminhada de forma mais intimista e solitária, pois acredita que é um momento de imersão pessoal e auto conhecimento. Pense a respeito.
Vanessa e Rafael
Vanessa e Rafael
Pra finalizar, resolvi trazer algumas breves palavras dos meus amigos sobre este lugar:
Vanessa Staldoni:
“Sobre o canion colca: vá preparado pra caminhar muito, mas muito mesmo, e esteja já aclimatado pra caminhar na altitude e com roupas adequadas para o sol intenso. E não deixe de curtir a vida e a cultura da vila acima do canion (Cabanaconde), que mais parece uma Machu Picchu na ativa. “
Rafael Buratto:
“Se fosse fazer novamente eu dividiria em mais um dia a travessia. Acho que o ideal seria dormir onde almoçamos (San Juan). Senti muitas dores no final do primeiro dia. Ná ultima parte, passando do tio que estava vendendo as bananas, eu estava dando um passo a cada 2 segundos e gemendo de dor no joelho. Quase não consegui terminar a trilha.”
Bons ventos a todos,
Até a próxima parada!
Autor(a) do post
Amabyle Sandri

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