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Machu Picchu, o vulcão de Arequipa e as linhas – vertiginosas – de Nazca | Um mochilão pela América do Sul | Parte III | Por Luciano Silveira

 

Finalmente em terras peruanas, já notava-se uma atmosfera diferente no país andino: estradas bem pavimentadas, ônibus com televisões e, por incrível que pareça, ar condicionado! As pessoas, embora tivesse a fisionomia parecida, já não tinham marcas das dificuldades enfrentadas pelo povo boliviano.

Nossa primeira parada no Peru foi em Cuzco! Muitas pessoas fazem confusão achando que Cuzco é a cidade onde fica Machu Picchu. Vou explicar: MACHU PICCHU NÃO FICA EM CUZCO. Simples assim! A cidade que abriga as ruínas históricas é Aguas Calientes, que fica a pouco mais de 60 km de Cuzco. No entanto, a antiga capital do império inca guarda suas belezas e particularidades. Confesso que Cuzco é aquele tipo de cidade que te conquista pela atmosfera. Além de ser uma cidade extremamente turística, ela abriga uma riqueza cultural inimaginável.

Chegamos na cidade vindo de uma fatídica viagem da cidade de Copacabana Apesar de amistosa, Cuzco é uma cidade muito grande e é importante que os viajantes que lá pensam em se hospedar se programarem. Quando chegamos na rodoviária, pegamos um táxi direto para nosso hostel. Dessa vez resolvemos ficar no Loki. Uma dica valiosa para qualquer viagem que você irá fazer é que sempre pegue um táxi na sua primeira viagem dentro da cidade. Muitas vezes, pegar ônibus ou trens pode tornar a chegada na sua hospedagem mais cansativa e demorada, quando na verdade o que você mais deseja é um bom banho e uma cama confortável.

Voltando a Cuzco… Para você fechar um passeio a Machu Picchu é importante pesquisar dentro do hostel os valores do passeio e também pesquisar em agências na cidade. Fechamos o nosso passeio em uma agência do lado do hostel por 100 dólares (!!) a menos.

Existem dois tipos de pacote que você pode escolher para ir a Machu Picchu: um deles é onde você pega uma van até uma estação de trem e de lá pega o trem até Aguas Calientes – essa opção é bem cara, 450 dólares na época.

Outra opção, para viajantes econômicos ou mãos-de-vaca como eu e meu irmão, custava 300 dólares. Nessa opção, a van nos deixa em uma usina hidrelétrica, dessa usina seguimos uma trilha a pé até chegarmos a linha que o trem passa, essa linha do trem nós seguimos até Águas Calientes. O caminho não é muito longo, é uma caminhada em torno de uma hora e meia a duas horas, dependendo do seu ritmo. Para nosso azar, no momento em que fazíamos a caminhada pegamos uma tempestade tropical, digna de cenas de filme como Jurassic Park, onde você via aquela mata na chuva e neblina entre as árvores.

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Chegando em Águas Calientes, você percebe que a única atração de lá são as águas quentes em si (a cidade está situada em cima de fontes de águas termais) e Machu Picchu, é uma cidade muito pequena e aconchegante. No nosso pacote estava incluso uma diária em um hotel simples e uma cena (jantar em espanhol). Dormimos cedo pois no outro dia iríamos fazer nosso passeio rumo a Macchu Picchu.

No outro dia, 06h30 acordamos e fomos direto para o morro. Existem duas opções para quem deseja subir até as ruinas: a primeira é por uma trilha que leva em torno de 01h30, lembrando que ela é uma trilha bem íngreme, e a segunda pagando 5 dólares e subindo de ônibus. Pegamos a opção do ônibus pois nossas pernas estavam bem cansadas da caminhada no dia anterior.

Chegando lá apresentamos nossos voucher de entrada e tivemos acesso ao portão. Foi muito bom ter chegado cedo. Entramos no parque às 07h30, pois havia poucos turistas no local – o que nos permitiu curtir tudo em paz. Visitar Machu Picchu é aquele tipo de experiência que se leva para vida! Quando se está lá, mais importante do que tirar fotos ou ouvir explicações sobre a história, trata-se de absorver uma sabedoria milenar que está ali montada e demonstrada em frente aos nossos olhos. Diversas partes de Machu Picchu são compostas por pedras que se fossem cortadas hoje por máquinas extremamente modernas e inteligentes não teriam a exatidão e o capricho com a qual foram cortadas antes. A maneira como foi organizada toda a cidade e a sociedade que se desenvolveu em volta daquele povoado que morava em cima da montanha é de fascinar os olhos de qualquer um. Por termos pego poucas pessoas no começo do passeio, pudemos sentir a essência primordial deste lugar fantástico

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Ao longo do dia os visitantes podem também se aventurar conhecendo Wayna Picchu que é uma montanha em frente a Machu Picchu. Paga-se uma taxa a mais e pode subir o morro se apoiando em cabos de aço. Um pessoal que viajava com a gente foi até lá e achou a vista magnífica. No entanto, eles voltaram mais vermelhos que camarões. Então, um alerta importante é::: usem filtro solar para esses passeios!

 

Era começo da tarde quando nós descemos a montanha. Tínhamos ainda uma boa parte do dia pela frente (já que nosso trem era às 17 horas). Resolvemos conhecer uma das piscinas termais da cidade e, apesar de ser um pouco amadora a estrutura, o local é bom para relaxar após uma longa manhã de passeios.

Após visitarmos tudo, seguimos adiante nossa viagem de volta para Cuzco. Desta vez pegamos o trem e encontramos uma van que nos levou de volta para a cidade – viagem essa que teve alguns contratempos como um desmoronamento que ocorreu no meio da estrada 15 minutos antes de chegarmos naquele ponto.

Contratempos à parte, chegamos sãos e salvos em Cuzco e poderíamos aproveitar aquela cidade tão cosmopolita e cheia de energia

No dia seguinte, visitamos a Plaza de Armas – onde encontra-se uma das maiores igrejas da América do Sul (ela levou cerca de 2 séculos para ser construída e é simplesmente enorme! Sua estrutura interna é forrada a ouro e prata). No fim da tarde pegamos um pôr do sol sensacional no hostel acompanhados de uma boa Cusqueña e nos preparamos para ir a uma das baladas mais descoladas da cidade a Mama Africa.

A noite inteira conhecemos pessoas que vinham de todas as partes do mundo: Europa, Estados Unidos, México, Chile, Austrália… O melhor de se viajar no estilo mochilão é fazer diversos amigos e todos estão na mesma vibe – não importa se você está usando aquela camiseta velha que já foi lavada 4x na mesma viagem, o que realmente importa ali é a sua essência e quem você é. Todos ali têm um objetivo em comum: viver uma vida feliz e completa, claro, através de viagens

Após nossa prazerosa estadia em Cuzco e Águas Calientes, tínhamos apenas 4 dias para chegar em Lima. Eram duas opções: ou tocaríamos direto para Lima e passaríamos uns dias passeando pela capital peruana, ou poderíamos conhecer outras cidades em volta de Cuzco. Foi o que fizemos!

Decidimos ir para Arequipa e Nazca, duas cidades muito turísticas e cada uma com suas características. Arequipa é conhecida como a cidade branca, pois toda a sua construção é feita com pedras vulcânicas na cor branca e é muito visitada por pessoas interessadas em trekking. O vulcão El Misti, que cerca a cidade, proporciona uma visão singular para tamanha força da natureza. Outro lugar espetacular de se conhecer – e que não tivemos a oportunidade – é o Canon del Colca, um dos maiores canyons do mundo – é interessante visitar para quem tem mais de um dia na cidade.

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Após a passagem relâmpago em Arequipa, pegamos um ônibus diretamente para a cidade de Nazca, onde faríamos nossa última parada antes de Lima.

A cidade de Nazca localiza-se em uma das regiões mais áridas do mundo. A grande atração lá são as linhas geométricas, que podem ser visualizadas apenas através de voos feitos em aviões de pequeno porte. Quando se chega em Nazca a primeira pergunta que vem à cabeça é: “o que estou fazendo aqui?”, mas, não se desespere! Logo você entende que vale a pena. A cidade, em si, apesar de movimentada, não possui muitos atrativos além das linhas, então nosso plano foi ir direto para o aeroclube de onde saiam os voos para ver as tais linhas.

Chegando lá tivemos que aguardar por quase 3 horas em um aeroporto que não tinha estrutura nenhuma (e quando digo nenhuma é NENHUMA mesmo! A lanchonete resumia-se a lanches feitos por uma única mulher, não tinha bebedouro e nem ar condicionado – tudo isso tornou a espera ainda mais estressante). Ficávamos acompanhando nossos nomes em um telão onde constavam as informações de todas as pessoas que iriam voar. O passeio tem um preço bem alto. Pagamos 80 dólares, cada um, por 15 minutos de voo.

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Quando chegou a nossa vez quase soltamos foguetes. Aquela sala de espera estava realmente nos estressando muito, mal sabíamos que o pior ainda estava por vir. Quando entramos no avião o piloto logo nos informou que iria se comunicar conosco através do rádio e que se passássemos mal tinham saquinhos para vômito no banco em frente ao nosso.

Logo que o avião decolou tudo estava indo super bem. Estávamos em 6 pessoas na aeronave e parecia que seria um voo tranquilo. Ledo engano! Passados cinco minutos que havíamos decolado o avião DESPENCOU, literalmente! Minha bunda chegou a levantar do banco! Depois ele retomou para cima grudando minhas costas e no encostos e, na sequência, o piloto fez uma curva quase 180 graus, imagino que para se livrar da turbulência. Após passar esse susto e estar suando frio, o piloto peruana vira para trás e com um sorriso amarelo diz a todos “una pequeña turbulência, no?”

Quase perguntei onde estavam os paraquedas para eu pular daquele voo!

Passado o susto, tivemos a oportunidade de conhecer as linhas geométricas que são realmente magnificas. Formas de triângulos, pessoas, círculos, rostos… é impressionante como populações pré-colombianas foram capazes de montar tudo aquilo. Claro que, com o passar do tempo, ficar tirando foto e olhando para baixo causa uma vertigem horrível e dois integrantes do voo acabaram passando muito mal.

Ao fim deste voo super radical, agradecemos ao piloto pelo passeio e a Deus por estarmos vivos!

Encontramos um hostel no centro da cidade, nos organizamos com as mochilas e seguimos em direção a nossa última parada: Lima!

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Lima, como toda grande metrópole, possui uma diversidade gigantesca, pessoas, arquitetura, comércio, parques… Confesso que, após 20 dias andando em cidades pequenas e visitando construções milenares, ver toda aquela modernidade me deu um certo alívio, pois voltava a me sentir em casa novamente.

Lima é conhecida por seu Ceviche e pelo Pisco Sour, prato e bebida indispensáveis para quem quer conhecer a culinária peruana de perto. Lá também é muito comum comer nas Pollerias – lanchonetes gigantes que vendem frango assado, e você pode comer ele inteiro ou apenas as partes escolhidas.

Procuramos nos hospedar no bairro de Miraflores, um dos melhores bairros da cidade. A região é bem rica em shoppings e baladas para visitar à noite.

Um aviso importante: em Lima a oferta de hostels é bem restrita, então, se você sabe as datas que irá passar lá, reserve com antecedência seu hostel e não fique sem pouso. Nós acabamos ficando sem estadia e dormimos em um hotel que o forro estava desmanchando por causa de uma infiltração. Sorte que já estávamos no fim da viagem!

Dormimos apenas uma noite em Lima, mas foi o suficiente para conhecermos todo o bairro e os pontos turísticos dessa cidade tão cosmopolita.

Voando de volta para Brasil fiquei com o sentimento de dever cumprido! Afinal de contas, foram mais de 3.400 km percorridos, em balsas, ônibus, carros, aviões, todos esses veículos dirigidos por motoristas caolhos, desinformados e alguns divertidos. Acabei levando dessa viagem um novo estado de espírito, uma nova percepção de vida, onde tantos estão vivendo com tão pouco como na Bolívia e como nosso mundo é gigantesco e nós somos apenas grãos de areia em uma praia sem fim.

Espero que tenham gostado de toda essa trajetória. Agradeço imensamente ao meu grande amigo e irmão Vinicius Salviato, que, além de ter nos colocado em algumas frias, foi um excelente companheiro e um brilhante organizador de roteiros.

Até a próxima viagem!!!

 

Autor(a) do post
Amabyle Sandri

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